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A "loucura" e suas manifestações

Clara Averbuck

11/02/2019 11h27

Tenho pensado muito sobre a "loucura" e como ela se manifesta.

Às vezes, se não pela arte, pode virar surto de violência, autoflagelo, punição para si e para quem está ao redor. É muito difícil. É uma luta viver com psico atípicos, especialmente com os que se recusam a tratar, ainda que de forma alternativa (ninguém  aqui quer embotar a pessoa de remédio pra que ela não "encha o saco", como é o caso de muitas famílias que preferem se "livrar do problema").

Eu já afastei todo mundo que eu amava numa dessas fases, há uns 10 anos, e digo com toda a certeza: muita coisa ajuda, meditação, cuidar do Ori, conversar com amigos, mas é irresponsável achar que há solução mágica. Se o problema é clínico, assim deve ser tratado.

Existem médicos maravilhosos (existe também um complô da indústria farmacêutica com médicos horríveis, há que se tomar cuidado) mas o acompanhamento é necessário. De novo, não é fácil. Existem médicos acessíveis e éticos, mas não é fácil, nada é fácil e eu, que já passei por fases trevosas, estou aqui buscando uma solução, um equilíbrio. Lendo sobre manicômios só consigo sentir mais ojeriza sobre essa maneira de tratar seres humanos.

Lendo sobre tratamentos alternativos eu fico com minhas dúvidas. Sozinhos, são apenas paliativos. Eu sei que todas as pessoas, de todas as classes sociais, podem estar propensas a isso. Depressão, ansiedade, pânico, nada disso é "doença de rico" e estigmatizar isso só vai piorar tudo e afastar quem precisa de tratamento. Sejam responsáveis nessa época de "opiniões". A sua pode influenciar alguém que precisa de ajuda a simplesmente não buscar (me refiro principalmente a homens, cujos quais a masculinidade tóxica pode impedir de buscar ajuda pois é "coisa de gente fraca").

Se possível, assistam "Nise", mulher que revolucionou o tratamento da "loucura" no Brasil.

E este documentário curto da Muriel Matahari, "Condenadas pela Razão. 

Por todas as pessoas enlouquecidas
Por todas as mulheres 'enlouquecidas' porque queriam escrever,
estudar, não casar, imagine,
viver sem ser posse de alguém,
criar.

Se cuidem. Cuidem dos seus. Os tempos estão horrorosos.

Sobre a autora

Clara Averbuck escreve desde sempre e começou a publicar na saudosa internet discada. É uma das pioneiras da blogosfera brasileira e tem sete livros publicados e adaptados para cinema e teatro. Já escreveu na Showbizz, Superinteressante, TPM, Claudia e muitas outras, foi colunista de jornais e revistas Brasil afora, tem gato, cachorro e filha adolescente, bebe e gosta, usa unhas de acrílico, é uma apaixonada praticante de pole dance e acredita que o corpo é uma festa. Dá aulas de escrita criativa e sabe que escrever é a perdição e a salvação.Eparrei!

Sobre o blog

Divagações e conjecturações sobre comportamento, sociedade, mídia, o universo e tudo mais.